21/08/2017

silly season

Este blog encontra-se em plena silly season.
Como já devem ter percebido! E não, não estou de férias. Não tem havido nada de mergulhos, areia nos pés, caipirinhas e bolas de Berlim. Não tem chinelo no pé, cabelo despenteado, shortzinho básico nem pele morena. Não tem Bliss, não tem flamingos na piscina e as respectivas fotos da praxe, não tem churrasquinhos e dias descomplicados. Não tem pulseirinha-tudo-incluído, não tem praia até anoitecer (nem ao amanhecer), não tem gelados nem peixinho grelhado à beira-mar.

Tem um corpito cansado e um coração feliz.
Tem paciência para as esperas da vida, tem gratidão, tem foco para viver tudo o que falta,  tem clareza para fazer as próprias escolhas e tem paz para ser feliz.

E o melhor irmão do mundo para me levar a passear num dia de sol. Numa rara pausa.


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01/08/2017

agosto | e as cinco escolhas para este mês

O pouco que se tem passado aqui no blog, sobeja na vida real. O tempo escasseia, pouco ou nada me sobra para me dedicar ao Serendipity, mesmo que tenha algumas novidades, partilhas, parcerias, sítios novos e roteiros para mostrar.
A gestão do (meu) tempo está a ser feita sob os padrões mais sublimes e com a perfeita noção que os próximos meses não serão mais calmos. Contudo, se às vezes - num ápice - tenho vontade que tudo seja mais tranquilo, numa vidinha normal, rapidamente deixo o devaneio e volto à certeza que é ASSIM que sou mais feliz.

Os desejos, planos, sonhos, ambições e a #todolist de um agosto que se quer cheio de #superpoderes.






sunset's num rooftop
Quem me conhece sabe que faço a espargata, se preciso for, para não perder um pôr-do-sol.
Um terraço ao pôr-do-sol. Quase que podia ser o início de um romance, um daqueles que se fazem acompanhar de um copo de vinho e alguns suspiros. Mas não. A história é mesmo só sobre a celebração da vida, ao som de bossa-nova, que nos embala naquela brisa de final de dia, reunir amigos num sítio com uma vista incrível (ou num toque internacional, porque definitivamente há coisas que soam melhor em inglês, juntar os amigos para um sunset num rooftop), petiscar qualquer coisa e voltar a casa sob aquele limbo de embriaguez de um bom copo de vinho tinto (ou dois).
A propósito: prometo menos saltos no trampolim e fazer mais vezes a espargata.


ginásio & body balance & yoga & pilates & you name it
Regressar aos treinos, mesmo que de forma ainda condicionada, complementar com algumas aulas imensamente profícuas para a recuperação da lesão, voltar à rotina e ao corpo mais tonificado (sim, porque este "traidor" esqueceu muito rápido o trabalhinho que fizemos) eram já intenções de julho, mas não passaram disso mesmo, portanto a nota mental obrigatória é: voltar à carga em agosto.


roteiro gastronómico
Tenho estado a compilar uma série de artigos deliciosos, sobre novos espaços ou novidades nos sítios do costume, para partilhar. Com o bom tempo e noites quentes, tudo aquilo que apetece é aproveitar os fins-de-semana para conhecer novos restaurantes e provar algumas das melhores iguarias da cidade.
Mesmo que tudo esteja a acontecer por aqui com um delonga considerável, estou a preparar uma mão cheia de sugestões.


em várias frentes 
Tem sido muito complicado ultimamente fazer a gestão das várias frentes e, por isso, o primeiro prejudicado foi o blog! E se há algo que me "aborrece" é ter conteúdo para publicar, mas não ter tempo para actualizar. Este mês farei um esforcinho adicional para escrever mais, fotografar mais, dar uma entrevista há muito pendente, começar a delinear o plano de acção para os últimos meses de 2017 (o segundo Blogger's Event, a segunda viagem do ano, ...) e fazer um follow-up(zinho).


Francisca & Gonçalo 
26 de agosto 2017. 

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28/07/2017

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19/07/2017

São Tomé e Príncipe | Dicas

A minha maior recomendação: VÃO. Façam pesquisas na internet, tracem rotas, explorem fotografias, leiam sobre a história e sobre as roças, os projectos e as pessoas. Mas vão.
São Tomé e Príncipe acolhe famílias e casais, viajantes solitários e corações doces.
E lembrem-se: Viajar é viver a dobrar.

Sobre as viagens
A STP Airways e a TAP voam directamente para São Tomé. São aproximadamente 6 horas de viagem, que se fazem muito facilmente. O valor dos bilhetes não é o mais convidativo, diria uma média de 700€ por bilhete, mas já se sabe que a reserva com antecedência pode sair mais em conta. A taxa de saída da ilha já não se paga, ou melhor, está diluída no preço do bilhete:). Para quem pretende ir ao paraíso, ao último pedacinho de paraíso, existe voo diário para a ilha do Príncipe, que demora aproximadamente 40 minutos e custa à volta de 200€/pessoa (ida e volta) numa avioneta de 30 lugares. 

Documentação necessária
Passaporte com validade mínima de 6 meses a contar da data de regresso. O visto é dispensado para um período de estadia não superior a 15 dias.

Diferença horária
Verão Portugal Continental GMT -1
Inverno Portugal Continental GMT +0

Designação Oficial
República Democrática de São Tomé e Príncipe

Língua oficial
Português e dialetos locais (forro, lunguye e angolar)

População
197.882 hab (dados de 2004)

Moeda
Dobra (1 euro equivale a 24.615 dobras)

Religião
Católica (predominante), protestante e adventista

Electricidade
220 V

Pagamentos
Cartões de crédito aceites na maioria dos hotéis. O Euro é praticamente aceite em todos os pagamentos.

Situação geográfica
São Tomé e Príncipe situa-se junto à linha do Equador a cerca de 300km da costa ocidental de África. Constituído por duas ilhas principais, a Ilha de São Tomé e a Ilha do Príncipe, e vários ilhéus, sendo o mais conhecido o Ilhéu das Rolas que tem como particularidade o facto de ser atravessado pela linha do Equador, este pequeno país insular faz fronteira marítima com o Gabão, a Guiné Equatorial, os Camarões e a Nigéria.

História
As ilhas de São Tomé e Príncipe estiveram supostamente desabitadas até 1470, ano em que foram descobertas pelos navegadores portugueses Pêro Escobar, João de Paiva e João de Santarém. Durante mais de um século, tornou-se uma potência açucareira tendo o seu declinio acontecido com a concorrência do Brasil no séc. XVI. Até ao século XIX, São Tomé e Príncipe tornou-se um entreposto de escravos, vindo nesse século a conhecer a revolução agricola com a introdução do café e do cacau. A partir dos anos 60 do século passado, começaram a surgir alguns movimentos nacionalistas, opositores ao domínio português, movimentos esses que iriam culminar com a independencia do arquipelago em junho de 1975.

Taxa turística
Valor indicativo de 3euros por pessoa e por noite paga localmente nos hotéis.

Destino barato...
NÃO, não é de todo um destino barato. As viagens não são baratas e as opções de alojamento, principalmente no Príncipe, são caras. Situação que facilmente se explica pelo facto de quase tudo ser importado (de Portugal) e por tal encarecer o preço final (a locais e a turistas). Mais ainda no Príncipe, onde a chegada de produtos e recursos está ainda sujeita a uma viagem de 12h de barco, quando não avaria ou afunda.

Melhor altura do ano
Eu diria que qualquer altura é boa (o importante é mesmo ir), mas resumindo existem três "estações" nas ilhas juntinhas à linha do Equador:
Calor calor calor entre dezembro e março; A época das chuvas (ahhhh nós somos tão felizes com aquilo a que chamam "época das chuvas) entre março e junho; A gravana, não chove mas está nublado (céu branco), entre julho e dezembro.
E uma nota importante, não vale muito a pena confiar nas previsões meteorológicas, porque nada, mesmo nada, bate certo. Pouco importa, porque a temperatura média ronda os 25 graus e de vez em quando uns chuviscos até sabem tão bem.

Comer & Beber
Acho que durante uma semana em São Tomé e Príncipe não comi nenhuma vez carne. A variedade de peixe e de comida típica é tão grande que nem vale a pena deixarmo-nos cair na tentação da carne (duvidosa). O peixe barracuda, o peixe voador, o atum, o peixe azeite, .... com banana-pão, com banana frita, mata-bala cozida, batata doce, fazem as delícias. E claro, o melhor: o Molho no Fogo, uma delícia. O mais próximo que temos diria que é uma boa caldeirada, mas acompanhada de mandioca. 
A maioria dos restaurantes locais necessita de marcação prévia, nem sempre há certeza de mesa e não há cá restaurantes da moda e luxos europeus (a não ser nos hotéis). O registo é leve-leve e convém uma certeza dose de paciência. O vinho é tendencialmente caro, mais um sinal do peso da importação, mas as boas castas portuguesas estão lá todas, assim como a  Sagres e a Superbock (para os apreciadores). Para pessoa como eu, que não gosta de cerveja, há sempre a opção que aconselho: a Rosema, a cerveja nacional, fresca, leve, cheia de gás e com menor teor alcoólico. 

Guias
Estive uma semana em São Tomé e Príncipe, cinco dias no Príncipe e dois em São Tomé. A ilha do Príncipe são 150 km², uma família grande e perfeitamente visitável através dos circuitos organizados pelos próprios hotéis. Foi o que fiz e não senti falta de "contratar" um guia. Mas claro, isso também sou eu que me queria era no bem bom das praias e do Bom Bom.
Em São Tomé, e como sabia que havia muito mais para ver e conhecer, fiz um bom briefing e percorri os 860 km² de ilha com um guia. Brincadeirinha, em dois dias seria impossível percorrer tanto e tão bonito que São Tomé tem para mostrar. Ficaram imensos pontos, turísticos e não turísticos para "picar", mas sem um guia seria impossível tudo aquilo que ainda fiz. Porque a sinalização e o nosso lindo sistema de orientação e destinos não existe, algumas estradas são muito pouco transitáveis, a não ser com os habitantes locais, que conhecem as localidades e as comunidades como ninguém. E convenhamos, dão um toque de magia ao roteiro, contam-nos histórias, marcam os restaurantes e imbuem-nos de um leve-leve bem gostoso.

Contacto Guia São Tomé
Mayke Jackson: +239 985 853 1 (https://www.facebook.com/maykejackson.jackson/about)

O aluguer de carro também é possível, os próprios hotéis tratam disso e entre 60/80€/dia arranja-se um belo todo-o-terreno para se fazer à estrada. de parte. Um guia (com tudo incluido) fica à volta de 60/80€/dia.

A levar & Cuidados a ter
Não há vacinação obrigatória e a malária e o paludismo estão praticamente erradicados em São Tomé e Príncipe. Eu não tomei nada e não sofri qualquer tipo de maleita.
A saúde pública, e mesmo privada, é precária nas ilhas e, como pessoa consciente, fiz-me acompanhar de uns essenciais, uma espécie de kit SOS, a saber: Repelente de mosquitos (aplicado de manhã e à noite), ainda que se tratem de umas melguinhas iguais às nossas; os Benuron's e Brufen's desta vida; protector gástrico; umas saquinhas de ENO (que nunca se sabe como estes organismos europeus reagem); Imodium; umas pomadinhas e pouco mais. O protector solar também viajou, mas garanto que veio praticamente novo. O sol não queima.

Roupa e calçado? São férias, é África, são roupas soltinhas e confortáveis, umas sapatilhas, dois bikinis e uns chinelos. Simplicidade. Dias sem maquilhagem e cabelo penteado pelo vento da praia. Pronto, uns vestidinhos para a noite e para um ou outro jantar especial.

Para as crianças? Evitem os doces, ainda que seja o que eles pedem constantemente na rua ("doxiiiiii"), porque foi a isso que se habituaram dos turistas. Levem antes coisas mais úteis e que as fazem igualmente muito felizes, como pasta de dentes, roupa, material escolar (uma caneta, uma básica BIC, é toda uma alegria espelhada naquelas carinhas perfeitas), sapatos e medicamentos. Ou então contribuir com donativos através das organizações e associações que existem nas duas ilhas e que farão a distribuição equitativa pela comunidade, nomeadamente:
Sonha, Faz e Acontece
Instituto de Camões

Onde comer e onde dormir em São Tomé e Príncipe
aqui e aqui
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17/07/2017

Ilha de São Tomé

Situado no Golfo da Guiné, São Tomé e Príncipe forma juntamente com as ilhas de Pagalu e Bioko, o grupo dos arquipélagos do Golfo da Guiné, na costa oeste africana.



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09/07/2017

Ilha do Príncipe

Em termos de distância, a ilha do Príncipe fica a 140 km de São Tomé, a 220 km de Gabão (a leste), a 300 km da Nigéria (ao norte) e a cerca de 250 km dos Camarões e da Guiné Equatorial. Com uma paisagem extraordinária, o Príncipe está coberto de grandes picos vulcânicos tendo uma cobertura de 70% de floresta primária, dos quais 20% árvores, orquídeas e pássaros considerados endémicos.



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05/07/2017

São Tomé e Príncipe - I

Foi a minha primeira vez em São Tomé e no Príncipe. Não terá sido certamente a última. Foi a minha primeira viagem sozinha, uma das maiores e melhores experiências da minha vida.
E assim começa o meu diário sobre esta viagem, que será sempre tão pouco perante aquilo que vivi, porque hoje, com propriedade, posso dizer que "todos devíamos viajar sozinhos (pelo menos) uma vez na vida". 

Sou feliz, não o nego e faço um pouco disso "bandeira". Uso e abuso do amor, dos beijos e dos abraços, digo vezes sem conta às minhas pessoas bonitas (e são tantas) que gosto muito delas, danço ao som da música da vida e sigo à boleia dela, sozinha ou de mãos dadas. Esforço-me por não me queixar, de nada nem de ninguém, cuido de mim, colecciono sunset's, saio da zona de conforto do mesmo jeitinho que me aninho no meu abrigo, leio livros, tenho uma vida social activa, muitos e variados gostos, choro, rio, tenho medo, sou forte, agradeço imenso a sorte que tenho, os dias e o simples facto de respirar, a sorte de ser do bem, das pequenas sortes e dos grandes acasos. Desafio-me, mudo a vida e tento todos os dias ser um bocadinho mais feliz.

Precisei de "fugir", porque aquilo que amamos também nos cansa. E eu precisava de "desligar" do mundo, para voltar a ser o melhor para mim e para ele. 
Não foi uma viagem muito programada. Partiu da minha vontade, do privilégio de estar realmente onde estou e do facto de por mais que se organize a vida para a frente, tendo em conta o que está lá atrás, saber que este era um momento essencial para o meu equilíbrio. Associada à minha noção de finitude da vida, que me impele a aproveitar todos os momentos e todas as oportunidades que vai pondo no caminho, com mais leveza, com mais receptividade ao que me rodeia e com menos "receitas".
Apenas algumas das minhas pessoas bonitas chegaram a saber antes desta viagem acontecer, ouvi alguns receios e opiniões, mas nada havia a fazer: ia mesmo viajar sozinha, ia uma semana para São Tomé e Príncipe, numa espécie de "pausa da vida", aos 30.

Praia Bom Bom | Ilha do Príncipe

Foi uma semana MUITO FELIZ.
Foi uma semana de descomplicar, de sentir profundamente, de me dar e de receber a dobrar. Foi uma semana de foco, de traçar planos, de muito escrever, de muito falar (viajar sozinha tem esta magia, talvez falemos mais do que se estivéssemos na companhia de uma turma inteira), de muito alinhar, de muito acreditar, de abraçar e de agradecer. Foi uma semana de muita aprendizagem do lado de dentro e de uma gratidão imensa.
Foi uma semana de lições de vida, de desapego, de gozar e de limpar o que não tem significado. De perceber o valor real que algumas coisas têm para mim, de as assumir, assumindo a minha verdade.
Foi uma semana com muitas horas de sono, de muita recuperação de energia, de muitos sorrisos (porque, no fundo, o Mundo (só) precisa disso), de muita força e de um orgulho grande. Foi uma semana de dizer obrigada a mim pela simplicidade de viver como sou, com muita qualidade e responsabilidade, de saber filtrar o que não importa, de saber o que me faz feliz. Foi uma semana em que a vida aconteceu lentamente, naquela primeira luz que fica na pele, naquele acordar e adormecer a ouvir o mar (um privilégio), naquela serenidade que (só) o tempo traz: tudo o que é para ficar, acontece devagar.
Foi uma semana sem filtros, sem rodeios, sem me fazer duvidar de todas as minhas bênçãos. De fechar os olhos, deixar acontecer silêncio em mim e pensar, num dos momentos apoteóticos da viagem, entre um riso manhoso e algumas lágrimas: Sim, estou mesmo no Príncipe, sozinha, e estou imensamente feliz.
Porque algo me acompanha sempre: a certeza de saber onde estão os abraços que preciso.
Estão do lado de cá, mas há muito que quero fazer do lado de lá (juntinho à linha do Equador)*.

*Mesmo que deixe sempre que a vida me diga o que devo fazer com ela.
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