24/06/2016

destes dias #1

Costumo dizer que tenho saudades de tudo. E tenho e saudade é 'coisa boa'. Não sei se tem que ver, naturalmente, com sentimento português, se com a intensidade que ponho em tudo e a sorte pelo tanto com que a vida me presenteia. Tenho saudades de pessoas, de momentos transformados em memórias que vivem em gavetas de algodão doce, mas aprendi a geri-las de forma que não me afectem pejorativamente o presente (as minhas saudades são doces), nem tão-pouco os dias que se seguem.

Difícil tem sido lidar com outro tipo de saudade.
Saudades de mim.
Há vozes que me acalmam, as minhas pessoas-bonitas que estão do meu ladinho, no silêncio que preciso e nas (muitas) horas de conversa que tenho tido em temas redundantes (por demais presentes), mas tenho saudades de mim. De conseguir falar comigo, de me concentrar e encher-me da força imensa do "vai dar tudo certo", do pragmatismo, da capacidade de relativização, da serenidade, da autoconfiança, do autodomínio, da autoconsciência.
Estou em "estreia absoluta", numa pequena avalanche, sem tempo para planos, escolhas, definição de prioridades ou gestão de agenda, e tenho perfeita noção que se espera de mim o melhor, aquele que eu darei todos os dias.

[mas custa muito. o número de horas dormidas diminuiu drasticamente, o sono não é reparador, combinar algo com alguém e chegar a horas é hercúleo, sinto-me ansiosa e não devia, o tempo para mim e para os meus programinhas não existe (ainda que eu o invente no meio disto tudo, verdade), sinto-me fisicamente cansada, não há viciozinho do bom e há muito do mau, .....].

Tenho saudades de mim, da pessoa que sou, do equilíbrio, mas tenho uma certeza: quando me encontrar estou numa versão muito melhorada :)


  
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