12/07/2016

2016. os primeiros seis meses

Escrevo como forma de compromisso comigo mesma. De responsabilização, de memória (aquela que mudou tanto ao longo dos anos), de lembretes, de diário e de agenda, de planos de acção, de projectos, de acção "moleskinica", de organização e preparação (de surpresas, aquelas das quais viveria apenas e só).

Acredito que o importante mora cá dentro, está naquilo que sou e no que vivi, nos momentos e nas pessoas que me trouxeram até aqui, mas gosto de uma vida escrita e fotografada. Gosto de palavras (apesar de ser - academicamente - dos números e das fórmulas) e de fotografia (apesar de perceber pouquinho de Fotografia). A decisão de criar este ano um blog, ideia que já vinha a ser "cozinhada" há muito, prende-se com isso mesmo: a necessidade de uma espécie de diário com arquivos organizados*. E, como acredito também que nada acontece por acaso, o facto de ter escolhido este ano (no dia do meu aniversário) para iniciar este projecto não podia ter sido mais assertivo. Porquê? Porque este está a ser um ano de verdadeiros Felizes Acasos** (significado de serendipity).

Regra geral termino cada ano num cansaço extremo, tanto que já repeti vezes sem conta que gostava de ir de férias assim entre o dia 15/dez e 15/jan, ideia essa completamente reprovada por família e amigos (atenção que um dia eu vou mesmo ahaha), no entanto logo tem um mês de janeiro calmo e morninho, para respirar, para descansar da correria do mês anterior, das festas e jantares. Sim sim M, este ano não teve nada disso, o que não é necessariamente mau (tenho uma amiga que diz que de monotonia na vida eu não me posso queixar e é tão verdade), mas sinto neste momento uma vontade muito grande de descansar uns dias de mim mesma. E descansar de mim não implica que vá três dias para um lugar remoto, sem acesso a tecnologia e tiques de vida citadina e passar os dias a ler, comer e dormir (se bem que já quis muito isso, hoje não), mas dar-me a ilusão de conseguir "parar o tempo" e apenas deixar fluir. Apetece-me carregar no botão "stop" e deixar só que a música continue a tocar cá dentro.

Às vezes peço descanso à Margarida porque é uma gaja que me cansa, porque quer fazer mil coisas ao mesmo tempo e se deita amuada (outro motivo para noites mal dormidas ahaha) por ter de fazer pausa a tantas ideias e projectos, a tanta vida. Só que a Margarida é feliz assim, só consegue imaginar a vida assim, nos abraços e nos sorrisos das pessoas, numa "casa cheia", no perfeccionismo, no espírito curioso, no ar bem disposto a cada "bom dxiiiiia" em voz alta, ainda que às vezes o sorriso custe um pouco e a missão seja apenas arrastar o esqueleto cansado até ao próximo desafio.

Em jeito de flashback, aludindo ao primeiro parágrafo do post, e porque uma das maiores premissas desta Margarida que vive em mim é o equilíbrio entre o saber fazer, a exigência profissional e o tempo disponível para as pessoas bonitas, em modo preguicinhas ou boémio, faço uma espécie de mindmap dos primeiros seis meses do ano (num próximo post vou tentar deixar ideias de alguns "must go" provados e aprovados este ano).

Muito mudou desde o início do ano, porém nada do que sou. janeiro trouxe pessoas novas à minha vida. da forma mais inesperada e outras como eu previa. iniciei o desafio a que me propus no final do ano anterior, fazer o Programa Geral de Gestão na Universidade Católica em Lisboa, que não seria possível sem o apoio indubitável dos meus (e dos que acharam sempre que seria demasiado arrojado, obrigadinha ahahah). foi um mês de análise familiar interna, de brainstorming e decisões. nasceu o serendipity (assim a medo e sem jeito, coitadinho). comemorei o meu aniversário - melhor de sempre (adoro fazer anos, já se sabe) e não terei nunca como agradecer tanta mas tanta surpresa num mesmo dia (o que implicou nem sequer dormir. feta é feta). em fevereiro deu-se o prenúncio da mudança em termos profissionais, a boa, a desejada. foi óptimo, mas sair da zona de conforto implica "ginástica" e "jogo de cintura". março foi duro, foi pesado, foi triste. mas quero-o gravado e não o apagava nunca do meu ano. primeiro porque nasceu baby M, que faz de mim uma tia muito babada, e depois porque "descobri" no quão forte me tornei, na serenidade que a vida me trouxe, no discernimento, no poder de encaixe, no pragmatismo, sem que com isso tenha perdido doçura. fiz a terceira tatuagem. voltei a ser a pessoa mais importante da minha vida. depois veio a concretização da mudança, o regresso tão desejado ao (meu) Rio de Janeiro com a melhor do mundo e fui (ainda) mais feliz. este ano o ritmo de treinos baixou, a alimentação é por vezes desregrada e os kg baixam na balança. 2016 trouxe alguns amigos de volta a Portugal e isso é para mim maravilhoso. voltou a desafiar-me a nível profissional e a provar muito do que ficava por "dizer" (estou cansada, mas feliz e motivada). multiplico-me em cafezinhos, jantares, copos de vinho tinto no pôr do sol, viagens para Lisboa (e sim, não é fácil, mas vai valer muito a pena), tempo de qualidade com as minhas pessoas bonitas, ideias a fervilhar e projectos que, neste momento, não podem sair do papel (opções estratégicas de vida, é o que é), trabalho a um ritmo alucinante, comemoração de dias marcantes, mudanças que determinei, muitos e muitos km de autoestrada, algumas despedidas, almoços e a procura do melhor spot sempre, nos abraços, na positividade que coloco em tudo ..... sem esquecer nunca aquilo que é verdadeiramente importante, o desejo maior de ser feliz, a gratidão que tenho (por tudo) e a procura das coisas simples.

A vida vai-me fazendo feliz. E sou feliz com o que sou e com o que tenho.
O resto, o resto vem.


* daqui a uns anos será delicioso revisitar cada post.

** deliciazinha e massagem cá dentro, o seguinte diálogo ontem:
                 - o que tem aí tatuado?
                 - serendipity. tenho assim a mania que sou um feliz acaso.
                 - e olhe que eu acredito em felizes acasos. e acho que a M. é mesmo um feliz acaso.

Bom dxiiiiiia*
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