10/10/2016

destes dias #2

apesar de tudo aquilo em que acredito, dos meus valores, dos meus pensamentos essenciais e da estrutura emocional permanecerem consistentes, há momentos em que preciso de parar, ouvir os sinais e pôr em causa. preciso de sentir aquilo que me faz chorar, o que me deixa ansiosa, lutar contra aquilo que não posso aceitar, aceitar o que não posso mudar, questionar verdades adquiridas, perceber do que fugi, redefinir o que precisa de ajuste. é uma espécie de reset que me traz de volta a mim, ao essencial, indubitavelmente à pessoa que sou.

setembro foi um mês de desafios, um mês exigente, um mês de momentos muito felizes e outros nem tanto assim. foi um mês cumprido, um mês de novidades, mas de dúvidas e alguma (bastante) ansiedade. uma angústia e tristeza imperceptível em olheiras e lágrimas não choradas.

outubro começou com a serenidade que (me) exigi, numa manhã preguiçosa que me conduziu ao afastamento do novelo que às vezes parece a minha vida.
e só assim, no compromisso comigo mesma de reaprender a "fazer nada" (maior desafio para mim), a desorganizar tanta organização, no discernimento do que não posso adiar e na fé e confiança no Tempo, volto ao equilíbrio que me é fulcral.

têm sido dias difíceis, estou doente há vários dias e não me sei assim. havia muito tempo que não tinha uma simples constipação e albergar a ilusão que sou sempre o "lado forte" e quem cuida dos outros não ajuda. sou forte e saudável, mas admitir a minha vulnerabilidade e perceber que estes bichinhos que me invadiram o corpo serviram também para me mostrar que alguma coisa não estava bem, que as defesas estavam em baixo, que não estava em equilíbrio e que precisava de abrandar o ritmo, é ainda um desafio interior.

não treino há mais de uma semana, abrandei a agenda e os compromissos (por força das circunstâncias e em plena consciência da necessidade de tal acontecer), movo-me lentamente e estou sem a energia que me é característica.

ao invés, ganhei tempo para redefinir o caminho, para me priorizar e ter a conversa que há muito se impunha, numa absoluta honestidade e respeito por mim mesma. tenho dúvidas, mas acredito muito no caminho que faço todos os dias e prometo-me todas as manhãs que vai valer a pena. mas dói, agora dói, tem de doer, porque dá (muito) trabalho ser inteira, ter força, inspiração, alegria genuína, vontade, gostar muito de nós e dos outros, fazer escolhas e tomar decisões, ser diferente, ter luz própria e nunca deixar que se apague, saber esperar pelo tempo certo das coisas, ter paciência, confiar, estar sempre bem, renunciar, desapegar, simplificar e deixar ir, querer bem e praticar o bem.

[escrevo muito sobre a minha vida aqui, as  minhas vivências, as experiências e as memórias. é o meu blog, o meu diário com registos organizados, mas é público (por opção) e isso impele que haja um lado tão íntimo e protegido que não é mostrado. simplesmente porque não precisa. e porque disse tudo a quem queria.]

hoje estou numa "ressaca emocional" deliciosa do fim de semana que passou. da despedida de solteira de uma das pessoas mais importantes da minha vida.

{"a parte boa: a Vida vai-te dando a mão ao longo da viagem, vai-te pondo dentro pequenos balões de esperança, vai-te ajudando a nunca desistir do único verbo que dá sentido a este lugar: o verbo amar."}



*entre todas as vicissitudes, na semana passada: comecei o Curso de Fotografia e dei a primeira sessão de Coaching. So proud.


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