22/10/2016

r e s t a r t


A Vida obrigou-me a parar.
Ela pedia que parasse, eu estrebuchava e continuava na minha; ela dava sinais, eu sorria e acenava; ela dava mais sinais, eu agarrava todos os paliativos que podia e andava; ela chateou-se comigo, está claro, eu sosseguei, segui todas as indicações e portei-me lindamente (leia-se medo, medooo, muito medo).

A Vida obrigou-me a desistir de certas pessoas,  a recordar que não posso mudar os outros, mas posso mudar aquilo que espero dos outros. E a perceber que o meu final feliz começa no ponto em que perdi o tecto. E que alguns pontos finais não têm parágrafo.

A mesma Vida que todos os dias agradeço, muito. Porque a idade ensina-nos muitas coisas, mas é a Vida que nos traz as maiores lições. E não há sossego maior que ter o discernimento, a presença e lucidez, a força para agir quando é para agir e a paciência quando é para esperar. E a capacidade para perceber e enquadrar tudo o que nos acontece (porque saber estar triste e ter esta paz de espírito é bom demais).

As últimas semanas foram física e emocionalmente duras. Na falta de forças físicas e no paradoxo do tempo que medeia o coração aceitar aquilo que a mente já sabe há muito. Na "descarga" física e emocional de meses e meses de um endless summer bom demais. Tremendamente bem aproveitado, muito feliz, mas sem pausas (e a cabeça e o corpo precisam de pausas). Na conversa de coração aberto que se impôs, que me aliviou, mas que doeu.
Faltaria à verdade se dissesse que já não dói, porque dói, todos os dias um bocadinho, mas todos os dias menos um bocadinho. Hoje o que sinto são saudades, saudades do que vivi e saudades do que não foi.

...mas deixar ir também é um acto de amor. O desapego e a cabeça descomplicada são uma escolha e são a minha. Há memórias, liberdade, momentos, sonhos, vida, amizade e amor-próprio que vou preservar sempre e para sempre.


Porém, como quase sempre, a Vida sabe o que faz e sabe o jeito certo de cuidar de nós, e talvez por isso, no entremeio de um estado de saúde debilitado e um coração fragmentado, tive o privilégio de assistir e viver o casamento de uma das pessoas mais bonitas da minha vida. Da "minha" história de amor, aquela em que acredito acima de todas as outras.
Nos dias que o antecederam toda a minha energia esteve associada à recuperação plena (ou quase plena) para o dia mais feliz, vertida na toma do antibiótico à hora exacta, na gestão de esforço, no repouso e concentração nos detalhes que ainda faltavam tratar. E sim, fui uma madrinha muito orgulhosa e babada, que se emocionou várias vezes ao longo do dia, que riu muito, que dançou imenso, - descalça - até às últimas músicas na pista, que se esqueceu de comer e tirar fotografias porque andou sempre entretida em mimo, conversas boas e animação, e que acabou a noite sentada à mesa com um frasco de gomas (resgatado da mesa dos doces) enquanto argumentava todos os motivos para se ser apaixonado pelo #errejota, imagine-se (ou seriam os gin's a fazer efeito).

Ganhei fôlego na celebração deste amor, na inspiração que são estes dois (talvez só quem os conhece consiga perceber a dimensão do que falo) e "arregacei as mangas".
Em consciência - agora - antecipo alguns momentos de (natural) recaída, preparo-os da melhor forma que sei e reinvento-me.

Assumi a segunda-feira passada como ponto de viragem para alguns aspectos que simplesmente tinham sido descurados ou suspensos face ao estado de saúde. A alimentação volta aos hábitos mais saudáveis, com horas mais ou menos definidas, e ficam para trás dias em que pouca coisa - e genericamente a que menos me nutria - me apetecia comer, após longas horas sem o fazer.
Regressei aos treinos, com PT e no ginásio novo, numa rotina diária ou quase diária, com objectivos traçados e motivação significativa. Regressei ao que me faz bem.

Faltam setenta dias para o final do ano, quase dois meses para o Natal, pouco mais de três meses para fazer trinta anos e o mesmo tempo para o merecido descanso.
Até às doze badaladas existem ainda muitos projectos para concluir e outros para iniciar, já preparados. Até ao final do ano concluo o PGG em Lisboa e preparo o retorno expectável disso; viajo com as pessoas fantásticas que me acompanham neste desafio; tenho como compromisso comigo mesma a Certificação Internacional em Coaching em dezembro; continuo o Curso de Fotografia que imenso gozo me está a dar fazer; trago novidades e inovação ao blog (em desenvolvimento e estou mortinha para poder mostrar tudo).
Ajusto as velas e as forças em mim e nas minhas pessoas bonitas, nas surpresas, na #cosyseason, na minha doce casa, no tempo de qualidade, nos livros que leio, nos filmes que vejo, no tanto que ainda tenho de estudar, no foco na alimentação e no treino (que esteve hibernado)

Com a promessa de um dois mil e dezassete profícuo em momentos deliciosos. Estão marcados, estão delineados ou sonhados. E para já há uma grande viagem que vai acontecer em janeiro, um dia que simboliza um sonho (e muito trabalho me vai dar) e outro dia que marcará para sempre o resto dos outros dias (e eu sou madrinha ahahah).

Cá vai disto,
Bom fim de semana*
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