09/03/2017

tão isto #4

'(...) tenho uma noção da finitude que faz com que sinta que cada dia é um acontecimento maravilhoso. Não é uma interpretação forçada de um carpe diem no abismo, não é uma noção forjada em teorias new age que têm muitas questões a resolver com uma coisa chamada realidade. Não é uma abstracção nem uma coisa discursiva. Não ando sempre a sentir-me nas nuvens, nem acredito em estados contínuos de alegria/energia/esperança/coragem/o que for. Isso não existe. Porque de vez em quando, é difícil como tudo. E por isso é que é tão maravilhoso encontrar-se sentido ainda assim. Salvar cada um dos dias. É disso que se trata. De uma espécie de operação de salvamento quotidiana. Nunca adormecer com a sensação de que o dia esteve à deriva, sem que tivéssemos uma palavra a dizer. E há sempre palavras a acrescentar. Sempre. Muitas variáveis não dependem de nós. Muitos imponderáveis, muitos planos que podem ou não ser levados por um vento mais ou menos tempestuoso ou por um Inverno mais ou menos rigoroso. Mas há tanto que depende só de nós. Tanto.'



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