18/04/2017

tão isto #4


'Para saber que a vida é complicada basta vivê-la. Aplica-se nas redes sociais o principio das molduras lá de casa: ninguém coloca para registo póstumo o momento mau. Isso também não faz das redes, nem de todos os seres que aqui andam, seres desonestos. Ninguém acredita mesmo que haja alguém que acorde sem olheiras, que não tenha uma insónia ocasional, que não sofra do estômago e do amor, ou mesmo dos dois em simultâneo. 
E também não me parece, que isso mereça grande composição textual, nem conversa de café. Porque até agradeço, a quem não conheço, que partilhe apenas o que de bom tem. O meu bom, entenda-se. Que isto do que é bom para uns e não é bom para outros, é filosofia que respeito. Para mim o que é bom na vida é o que ela tem de real. Não me assusta o desmazelo da roupa, nem da alma. Não me assusta gente que se questiona e se inquieta, não me assustam nódoas, nem pecados, nem selfies apaixonados. Gosto disso. Até gosto da legenda pirosa que eleva o momento, porque vejo nisso uma lamechice boa. E não me interessa nada desmontar o figurino de quem figura, como se estivesse louca à procura de uma alma num boneco de papel. Ninguém tem tudo a gente sabe. As pessoas sentem. As pessoas sabem. Confio no lado emocional de quem ajuíza sem desossar a pessoa. 
Gosto cada vez mais de gente boa.'

SHARE:
© serendipity. All rights reserved.