19/07/2017

São Tomé e Príncipe | Dicas

A minha maior recomendação: VÃO. Façam pesquisas na internet, tracem rotas, explorem fotografias, leiam sobre a história e sobre as roças, os projectos e as pessoas. Mas vão.
São Tomé e Príncipe acolhe famílias e casais, viajantes solitários e corações doces.
E lembrem-se: Viajar é viver a dobrar.

Sobre as viagens
A STP Airways e a TAP voam directamente para São Tomé. São aproximadamente 6 horas de viagem, que se fazem muito facilmente. O valor dos bilhetes não é o mais convidativo, diria uma média de 700€ por bilhete, mas já se sabe que a reserva com antecedência pode sair mais em conta. A taxa de saída da ilha já não se paga, ou melhor, está diluída no preço do bilhete:). Para quem pretende ir ao paraíso, ao último pedacinho de paraíso, existe voo diário para a ilha do Príncipe, que demora aproximadamente 40 minutos e custa à volta de 200€/pessoa (ida e volta) numa avioneta de 30 lugares. 

Documentação necessária
Passaporte com validade mínima de 6 meses a contar da data de regresso. O visto é dispensado para um período de estadia não superior a 15 dias.

Diferença horária
Verão Portugal Continental GMT -1
Inverno Portugal Continental GMT +0

Designação Oficial
República Democrática de São Tomé e Príncipe

Língua oficial
Português e dialetos locais (forro, lunguye e angolar)

População
197.882 hab (dados de 2004)

Moeda
Dobra (1 euro equivale a 24.615 dobras)

Religião
Católica (predominante), protestante e adventista

Electricidade
220 V

Pagamentos
Cartões de crédito aceites na maioria dos hotéis. O Euro é praticamente aceite em todos os pagamentos.

Situação geográfica
São Tomé e Príncipe situa-se junto à linha do Equador a cerca de 300km da costa ocidental de África. Constituído por duas ilhas principais, a Ilha de São Tomé e a Ilha do Príncipe, e vários ilhéus, sendo o mais conhecido o Ilhéu das Rolas que tem como particularidade o facto de ser atravessado pela linha do Equador, este pequeno país insular faz fronteira marítima com o Gabão, a Guiné Equatorial, os Camarões e a Nigéria.

História
As ilhas de São Tomé e Príncipe estiveram supostamente desabitadas até 1470, ano em que foram descobertas pelos navegadores portugueses Pêro Escobar, João de Paiva e João de Santarém. Durante mais de um século, tornou-se uma potência açucareira tendo o seu declinio acontecido com a concorrência do Brasil no séc. XVI. Até ao século XIX, São Tomé e Príncipe tornou-se um entreposto de escravos, vindo nesse século a conhecer a revolução agricola com a introdução do café e do cacau. A partir dos anos 60 do século passado, começaram a surgir alguns movimentos nacionalistas, opositores ao domínio português, movimentos esses que iriam culminar com a independencia do arquipelago em junho de 1975.

Taxa turística
Valor indicativo de 3euros por pessoa e por noite paga localmente nos hotéis.

Destino barato...
NÃO, não é de todo um destino barato. As viagens não são baratas e as opções de alojamento, principalmente no Príncipe, são caras. Situação que facilmente se explica pelo facto de quase tudo ser importado (de Portugal) e por tal encarecer o preço final (a locais e a turistas). Mais ainda no Príncipe, onde a chegada de produtos e recursos está ainda sujeita a uma viagem de 12h de barco, quando não avaria ou afunda.

Melhor altura do ano
Eu diria que qualquer altura é boa (o importante é mesmo ir), mas resumindo existem três "estações" nas ilhas juntinhas à linha do Equador:
Calor calor calor entre dezembro e março; A época das chuvas (ahhhh nós somos tão felizes com aquilo a que chamam "época das chuvas) entre março e junho; A gravana, não chove mas está nublado (céu branco), entre julho e dezembro.
E uma nota importante, não vale muito a pena confiar nas previsões meteorológicas, porque nada, mesmo nada, bate certo. Pouco importa, porque a temperatura média ronda os 25 graus e de vez em quando uns chuviscos até sabem tão bem.

Comer & Beber
Acho que durante uma semana em São Tomé e Príncipe não comi nenhuma vez carne. A variedade de peixe e de comida típica é tão grande que nem vale a pena deixarmo-nos cair na tentação da carne (duvidosa). O peixe barracuda, o peixe voador, o atum, o peixe azeite, .... com banana-pão, com banana frita, mata-bala cozida, batata doce, fazem as delícias. E claro, o melhor: o Molho no Fogo, uma delícia. O mais próximo que temos diria que é uma boa caldeirada, mas acompanhada de mandioca. 
A maioria dos restaurantes locais necessita de marcação prévia, nem sempre há certeza de mesa e não há cá restaurantes da moda e luxos europeus (a não ser nos hotéis). O registo é leve-leve e convém uma certeza dose de paciência. O vinho é tendencialmente caro, mais um sinal do peso da importação, mas as boas castas portuguesas estão lá todas, assim como a  Sagres e a Superbock (para os apreciadores). Para pessoa como eu, que não gosta de cerveja, há sempre a opção que aconselho: a Rosema, a cerveja nacional, fresca, leve, cheia de gás e com menor teor alcoólico. 

Guias
Estive uma semana em São Tomé e Príncipe, cinco dias no Príncipe e dois em São Tomé. A ilha do Príncipe são 150 km², uma família grande e perfeitamente visitável através dos circuitos organizados pelos próprios hotéis. Foi o que fiz e não senti falta de "contratar" um guia. Mas claro, isso também sou eu que me queria era no bem bom das praias e do Bom Bom.
Em São Tomé, e como sabia que havia muito mais para ver e conhecer, fiz um bom briefing e percorri os 860 km² de ilha com um guia. Brincadeirinha, em dois dias seria impossível percorrer tanto e tão bonito que São Tomé tem para mostrar. Ficaram imensos pontos, turísticos e não turísticos para "picar", mas sem um guia seria impossível tudo aquilo que ainda fiz. Porque a sinalização e o nosso lindo sistema de orientação e destinos não existe, algumas estradas são muito pouco transitáveis, a não ser com os habitantes locais, que conhecem as localidades e as comunidades como ninguém. E convenhamos, dão um toque de magia ao roteiro, contam-nos histórias, marcam os restaurantes e imbuem-nos de um leve-leve bem gostoso.

Contacto Guia São Tomé
Mayke Jackson: +239 985 853 1 (https://www.facebook.com/maykejackson.jackson/about)

O aluguer de carro também é possível, os próprios hotéis tratam disso e entre 60/80€/dia arranja-se um belo todo-o-terreno para se fazer à estrada. de parte. Um guia (com tudo incluido) fica à volta de 60/80€/dia.

A levar & Cuidados a ter
Não há vacinação obrigatória e a malária e o paludismo estão praticamente erradicados em São Tomé e Príncipe. Eu não tomei nada e não sofri qualquer tipo de maleita.
A saúde pública, e mesmo privada, é precária nas ilhas e, como pessoa consciente, fiz-me acompanhar de uns essenciais, uma espécie de kit SOS, a saber: Repelente de mosquitos (aplicado de manhã e à noite), ainda que se tratem de umas melguinhas iguais às nossas; os Benuron's e Brufen's desta vida; protector gástrico; umas saquinhas de ENO (que nunca se sabe como estes organismos europeus reagem); Imodium; umas pomadinhas e pouco mais. O protector solar também viajou, mas garanto que veio praticamente novo. O sol não queima.

Roupa e calçado? São férias, é África, são roupas soltinhas e confortáveis, umas sapatilhas, dois bikinis e uns chinelos. Simplicidade. Dias sem maquilhagem e cabelo penteado pelo vento da praia. Pronto, uns vestidinhos para a noite e para um ou outro jantar especial.

Para as crianças? Evitem os doces, ainda que seja o que eles pedem constantemente na rua ("doxiiiiii"), porque foi a isso que se habituaram dos turistas. Levem antes coisas mais úteis e que as fazem igualmente muito felizes, como pasta de dentes, roupa, material escolar (uma caneta, uma básica BIC, é toda uma alegria espelhada naquelas carinhas perfeitas), sapatos e medicamentos. Ou então contribuir com donativos através das organizações e associações que existem nas duas ilhas e que farão a distribuição equitativa pela comunidade, nomeadamente:
Sonha, Faz e Acontece
Instituto de Camões

Onde comer e onde dormir em São Tomé e Príncipe
aqui e aqui
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