18/01/2018

DESTRÓI ESTE DIÁRIO


No Natal recebi o livro "Destrói este diário", de Keri Smith. Não conhecia, não sabia do que se tratava, mas percebi que não era mais um livro, mesmo antes de o abrir ou ler o que quer que fosse.
Quem me fez chegar este livro, conhece-me muitíssimo bem e sabe o quanto preciso de me desarrumar e vencer a minha (ainda) tendência perfeccionista. Tanto que, confesso, ainda não o consegui começar a destruir. Olho para ele, finto-o e digo que vai ser hoje, marco um dia para começar, leio páginas aleatoriamente e volto a fechá-lo.
O livro vai dando, ao longo das páginas, instruções para uma destruição criativa e é indubitável a genialidade da ideia, a utilidade para - através da sua execução - ultrapassarmos padrões, libertarmos emoções e sentimentos.


"Aviso. Durante o processo de feitura deste livro, o leitor vai sujar-se. Pode vir a encontrar-se coberto de tinta ou de quaisquer outras substâncias estranhas. Vai-se molhar. Pode ser instado a fazer coisas que questiona. Pode vir a lastimar o estado perfeitinho em que o livro lhe chegou às mãos. Pode começar a ver destruição criativa em todo o lado. Pode começar a viver de forma mais descuidada."


"Se estás a ler isto agora é porque esta é uma mensagem especial, só para ti, e não para qualquer um. Todos os livros são assim: chegam-nos na altura exacta em que podemos precisar deles e às vezes quando menos esperamos. Acreditas no destino? E em coincidências literárias?"


"A destruição criativa é muito mais importante do que pensas. Tem a ver com muito mais do que apenas destruir páginas de um livro, se o deixares. Este livro é uma trégua, um refúgio, uma força da natureza, um desafio, uma voz, uma libertação, uma saída, uma prática social, um amigo, uma experiência física, uma ousadia, um segredo, uma ferramenta, uma terapia, uma explosão."


"Sabes qual é a página de "Destrói este diário" que mais assusta as pessoas? Talvez também tu tenhas medo dela. É a página do "abre e parte a lombada". As pessoas têm mesmo muita dificuldade em fazer isso. Seja qual for a página que mais temes, é mesmo essa que tens de conquistar para ultrapassares e venceres os medos e as tendências perfeccionistas. É verdade. Descobre qual é a página que te mete medo."


"Porquê a cor? A resposta honesta a isso é que eu tenho medo da cor. Aí está. Já confessei. Acho que há muito tempo tenho medo da cor. O meu trabalho é todo feito em torno da confrontação com as coisas que me causam desconforto, porque fomos treinados a fazer o contrário, a evitar o desconforto. Mas, na verdade, os lugares que evitamos são sempre aqueles onde mais precisamos de ir. Então cá vamos nós. Como se trabalha com cor (especialmente se se tem medo dela)? Mergulha-se nela, chafurda-se nela e brinca-se com ela."


"Libertamo-nos de toda a preocupação com o resultado. Não tentes fazer uma coisa bonita. O "bonito" é um bocadinho chato. Usa a sorte. Liga-te com aquela parte de ti que é trapalhona, zangada, idiossincrática. Deixa essa parte de ti à solta neste livro. Estás aqui, existes. Faz/deixa uma marca. Faz m#*%a! Estás pronto? Vamos a isso."

É absolutamente de génio. É psicanálise sem pagar fortunas num qualquer consultório com um cadeirão confortável. E eu... só ainda não marquei a consulta, comigo. 
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