29/04/2020

Tailândia | Bangkok



O tão prometido - E ATRASADO - post sobre a Tailândia. Sobre o nosso roteiro, dias de viagem, custos, dicas.
Não foi, como quase todas as que faço, uma viagem muito planeada, com antecedência e ao detalhe, mas à semelhança de quase tudo o que são viagens, deverá existir uma mínima preparação para que tudo corra como esperado.

E assim, começando com uns apontamentos gerais sobre o que se deve saber antes de uma viagem para a Tailândia, noto o seguinte:
- Um sine qua non de qualquer viagem fora da União Europeia é o Passaporte. É o documento de identificação global e devem, por isso, certificar-se que está válido à data da viagem (e, no caso da Tailândia, até seis meses posteriores à data da mesma).

- Não é necessário Visto para estadia até 30 dias (via aérea), o que com muita pena nossa foi uma condição aplicável.

- A moeda local é o Bath (THB) e nós optamos por levar dinheiro em euros e fazer o câmbio nas lojas de rua (taxa mais favorável do que no aeroporto, por exemplo), evitando assim o uso do cartão de débito electrónico ou cartão de crédito. Acredito que terá sido a melhor opção, para evitar surpresas menos agradáveis.



- A língua oficial é o Tailandês (“Thai”). O Inglês também é falado, com frequência e fluência variáveis, na comunicação com estrangeiros, devendo, porém, atender-se a que, salvo nos centros urbanos e locais de maior afluência turística, grande parte da população tailandesa não o fala ou entende, ou dele tem conhecimento deficiente, incluindo muitos empregados de estabelecimentos comerciais.

- A cidade de Bangkok tem uma vasta rede hoteleira, de diferentes classificações e localizações, dependendo dos pontos de interesse, no entanto não se pode esperar uma correspondência entre a classificação europeia e os hotéis em Bangkok (ainda que o custo do alojamento não seja desajustado para o que oferece). A marcação dos hotéis, quer em Bangkok, quer em Krabi, assim como os transfers, foi feita através de agência de viagens. Aguardo sempre uma proposta da agência, faço uma pesquisa no Booking, para aferir comentários de outros hóspedes sobre os hotéis, a pontuação atribuída ao mesmo, condições do quarto e, em função disso, faço ajustes. Foi isso que acabou por acontecer em Bangkok, o hotel proposto pela agência foi o Furama Silom, e percebi entretanto que é um dos hotéis mais indicado pelas agências, mas a localização um pouco distante da Khaosan Road, do Grand Palace, do Wat Poh e do Wat Arun fez com que procurasse uma alternativa mais central e acabamos por ficar hospedados no Chillax Resort. É um hotel 4 estrelas de cidade, com piscina no rooftop, com um bom pequeno-almoço, limpinho e cumpriu o objectivo.

- Os voos são duros e ingratos, muitas horas e escalas incluídas, mas é o "preço a pagar". Saímos de Lisboa e fizemos escala na ida em Frankfurt e no regresso em Bruxelas e optamos pela companhia aérea Thai Airways (super recomendada).

- A diferença horária entre Bangkok e Lisboa é de sete horas, portanto é bom contar com um jetlag jeitoso, principalmente no regresso.

- Quanto ao clima: a viagem aconteceu em janeiro e, obviamente, era um dos requisitos da mesma que fosse para um destino com sol e calor. Tudo certo, mas em Bangkok a humidade atmosférica perto da saturação (note-se: dizem que entre dezembro e fevereiro é mais moderada - como assiiiiiim??) não é propriamente a experiência mais agradável em alguns momentos do dia.

- Sobre os transportes em geral, Bangkok é uma cidade muito grande, mas os pontos mais turísticos estão relativamente próximos (com excepção do Floating Market, Maeklong Railway Market e Ayutthaya).... contudo, o ar abafado e o céu encoberto não convidam a longos percursos a pé, pelo que usamos duas opções para nos deslocarmos - Tuk Tuk (descrição e recomendações mais à frente) e o Grab (o Uber tailandês, super funcional e prático, melhor opção na minha opinião, foi pena só termos descoberto quase no final da estadia na cidade). Existem táxis oficiais, metro e o barco também poderá ser um meio de transporte.

- Internet fomos usando o wi-fi dos vários spots em que parávamos e dedicávamos mais tempo às ligações quando estávamos no hotel. A rede era boazinha, nada a registar.

- A comida na Tailândia dava um post por si só e aqui as opiniões claramente dividem-se. A Tailândia tem uma grande variedade de pratos e são experts na arte da street food (ir para a Tailândia e não provar uma comida de rua é privar-se de uma das principais experiências). Mas comer na rua não tem muita higiene (diria nenhuma, mesmo), porque não existem lixeiras na cidade e o lixo acumula-se no poste mesmo, ao lado das barraquinhas da comida, os vendedores pegam no dinheiro e na comida. E o que é que se faz? Finge-se que não se viu e come-se. Não há alternativa. Uma dica que super recomendo é a toma de protector gástrico, todos os dias, logo de manhã e, depois, confiar na sorte.
Os restaurantes tem a vantagem de terem fotografias dos pratos nos menus e isso ajuda um bocadinho na hora de escolher. E claro, a certa altura, vai dar uma saudade de comida ocidental e essas opções também existem (peçam uma boa pizza e vão entender o que estou a falar).
Em relação a custos, a comida de rua ou os pratos muito conhecidos - pad thai, fried rice, ... - são efectivamente muito baratos, quanto à restante oferta estamos a falar de refeições dentro do nosso padrão de custo. E a cerveja é cara.

- Um pouco de enquadramento histórico reporta para o facto do Reino da Tailândia ser governado por uma monarquia constitucional. Está localizado no Sudeste Asiático e a sua capital e maior cidade é Bangkok. Possui uma população estimada em cerca de 69 milhões de habitantes e os principais destinos turísticos do país são Bangkok, Chiang Mai, Chiang Rai, Pattaya, Ayuthaya, Ko Samui, Phuket, Krabi e Ilhas Phi Phi. O Reino da Tailândia é uma nação com uma longa história e os tailandeses sentem muito orgulho dela e das suas raízes, como é o facto de nunca terem sido colonizados por uma potência europeia. Na história tailandesa, Portugal recebe posição de destaque, uma vez que foi o primeiro país europeu a estabelecer relações com o então Reino do Sião em 1511. Em 1518 firmaram um Pacto de Amizade e Comércio, o primeiro entendimento deste género entre o Reino do Sião e um país Ocidental, celebrando-se em 2018 o 500.º aniversário deste Pacto. As influências portuguesas na Tailândia são notórias, desde alguns nomes a algumas especiarias e doces, bem como através da presença de igrejas católicas neste país de maioria budista. Em Bangkok há inclusivamente algumas comunidades de luso-descendentes localizadas nos bairros de Kudichin, onde há também um museu dedicado à história da presença portuguesa na Tailândia, o Museu Baab Kudichin, e de Nossa Senhora da Conceição.
 - Última nota sobre estes apontamentos gerais: Tentem dormir no avião, vão precisar de muita energia! Afinal, Bangkok é uma cidade muito intensa, confusa, com muita informação para absorver e muito para conhecer!


Estivemos dois dias e meio em Bangkok, o tempo recomendado para uma estadia na cidade. Aterramos por volta das 6h da manhã e entre procedimentos de desembarque, transfer e viagem, devemos ter chegado ao hotel por volta das 8h (a viagem entre o aeroporto e o hotel dura uns 30 minutos sem trânsito). Como só podíamos fazer check-in no hotel às 14h, foi-nos permitido guardar as malas enquanto aguardaríamos por esse - tão esperado - momento, um banho depois de tantas horas de viagem. Decidimos aproveitar para trocar dinheiro e dar uma volta de reconhecimento. De Tuk Tuk. E começa aqui uma odisseia chamada Tuk Tuk's. 
Todos somos avisados de coisas a não fazer em Bangkok, dicas para não cair em armadilhas, ouvimos experiências de outras pessoas, mas chega o exacto momento e fazemos o mesmo, caímos nas mesmas "ratoeiras!. E os Tuk Tuks são um redondo: EVITEM, SE PUDEREM! Os Tuk Tuk's são triciclos motorizados com cabine para dois ou mais passageiros e estão por todo o lado da cidade. Os preços das viagens são extremamente atraentes - THB20, THB30, ... -, mas as viagens, em geral, são pouco seguras (excesso de velocidade, infracções, ...). Além disso, é preciso ter em conta que muitos motoristas acabam por dar a volta aos turistas e levá-los para zonas de compras, destinos diferentes do acordado, you name it....mas claro, são uma imagem de marca da cidade e não vamos querer perder essa experiência mhuumm
Depois da primeira aventura no TukTuk, que interrompemos a meio, tal era a trapalhada que se adivinhava, regressamos ao hotel e, muito bem negociado, deixaram-nos fazer o check-in por volta das 10h30 (bênção, tudo o que precisávamos. Um banho, roupas a arejar e um mergulho na piscina. Não necessariamente por esta ordem).
Saímos do hotel para ir almoçar à zona da Khaosan Road, achávamos nós, mas em Bangkok sabemos muito pouco do que vai acontecer a seguir (pelos mais variados motivos), até sermos abordados por uma local, que nos topou "turistas, acabados de aterrar". E ali ficou um longo período a dar-nos dicas e conselhos e programas para fazermos. Mais uma vez, poucas horas depois da primeira experiência TukTuk, lá estávamos nós de novo dentro de um (shame on me), que nos levou até um restaurantezinho de rua onde comi um maravilhoso pad thai (a refeição para os três ficou por, aproximadamente, 4€), antes do tão aguardado e espectacular passeio de barco (NÃOOO!!! - E aqui se perderam 800THB).
Uma observação desde já no decorrer deste relato: os tailandeses têm uma forma muito peculiar de impingirem/levarem os turistas e não passa pelo "massacre de discurso", puramente comercial não, ao invés abordam numa perspectiva de bom anfitrião, hospitaleiro, cheios de cuidados e atenção, até atingirem o resultado final: a venda disto ou daquilo, depois de conquistarem o apreço e confiança dos turistas. Faz parte, não faz dos tailandeses melhores ou piores do que outros povos neste aspecto, mas é o modus operandi (avisados!!!).
Depois do passeio de barco, retomamos ao hotel, descansamos um bocado e saímos para a tradicional volta nocturna na Khaosan Road, onde acabamos por jantar.









No segundo dia em Bangkok acordamos por volta das 6h da manhã (bendita troca de fuso horário), tomamos um bom café da manhã no hotel e saímos para visitar alguns templos. Mais uma vez, achávamos nós, mas pelo caminho fomos sendo abordados e percebemos que o Grand Palace estava fechado (já não me lembro do motivo, mas há sempre um qualquer motivo irrisório para as medidas de última hora que os tailandeses aplicam). Pelo meio, cruzamo-nos com um australiano, super afável e comunicativo, que acabou por nos dar umas dicas (sem segunda intenção) e redefinimos o roteiro com a ajuda dele. Pegamos um TukTuk (terceira vez!!!) e fomos até ao pier para apanhar o barco para um passeio por Bangkok Yai no Rio Chao Phraya (500THB). O passeio terminava no Wat Arun (entrada gratuita), que era precisamente um dos destinos do nosso roteiro inicial dos templos e vale super super a visita (obrigatório).
Como o Wat Arun fica na outra margem do rio, apanhamos um ferry (4THB) e chegamos ao Wat Pho, outro ponto de entrada obrigatória. A entrada custa 200THB e inclui uma água (e, no nosso caso, um belo banho de chuva). Ficamos à vontade umas 3 a 4 horas dentro de Wat Pho e isso condicionou quer a hora de almoço (já ia avançada), quer a possibilidade de visitar o Grand Palace, que exige algumas horas e encerra às 15h, pelo que acabamos por não o fazer. Caminhamos, caminhamos, caminhamos, numa sensação próxima do limite de exaustão e fome, até perdermos de novo a cabeça e subirmos para outro TukTuk (sim, quarta vez, mesmo percebendo o erro logo na primeira).
Almoçamos num restaurante perto do hotel, um Fried Rice para mim, seguido de piscina e muito chillzinho no quarto.
Acordamos tardíssimo da sesta, optamos por pedir pizza do room service, porque o objectivo era irmos a um sky bar. E fomos. Ao Octave Rooftop Lounge and Bar e foi uma das melhores experiências na cidade, numa noite super agradável. Optamos por nos deslocarmos de Grab.






















No terceiro dia em Bangkok, dia de voo interno para Krabi, tínhamos a manhã ainda totalmente disponível para aproveitar, mas não longa o suficiente para visita ao Grand Palace ou ao Floating Market ou ao Maeklong Railway Market (confesso que este último me deixou com bastante pena), por isso optamos por fazer uma massagem na rua coconut oil (420THB), num sítio bem bem obscuro, mas FAZ PARTE e não se deve mesmo perder (ainda que em alguns momentos nos passe pela cabecinha que seremos desfiados para pad thai ou assim).
Entretanto foi só tempo de fazer mala de novo, almoçar no hotel e aguardar o transfer que nos levaria ao aeroporto para o voo.


Em suma, e considero que esta é uma dica super importante para Bangkok, tenham um roteiro preciso e antecipado do que querem fazer, com os pontos de interesse e cumpram-no escrupulosamente. Porque dois ou três dias são suficientes e teriam dado para vermos os locais que atrás referi, mas o cansaço das viagens e o facto da cidade nos "consumir" muita energia faz com que rapidamente se percam (foi um bocadinho o nosso caso, mas está tudo certo).

Em breve, um novo post sobre KRABI.

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