11/05/2020

Tailândia | Krabi


KRABI: ainda no nosso terceiro dia na Tailândia. A viagem de avião entre Bangkok e Krabi é de aproximadamente 1h20, mas até chegarmos ao nosso hotel ainda fizemos uma viagem de Van, de barco, de tractor e de "carrinho de golfe". Depois desta morosidade do percurso, e algumas peripécias, com uma noite que já se tinha feito chegar, e uma chuva de boas-vindas, antecipamos o melhor dos cenários e um pequeno pedacinho de paraíso na terra. Não nos enganamos e se tivesse que escolher de novo um destino de praia na Tailândia (entre Phuket, Krabi, Phi Phi Islands, Koh Samui, ...) seria, indubitavelmente, o que escolhemos - Railay Beach, em Krabi.
Jantamos no hotel nesse dia, num restaurante em cima da areia, uma vez que estávamos cansados e ainda pouco ambientados. 


No dia seguinte, o entusiasmo para percebermos exactamente onde estávamos (chegamos já de noite no dia anterior) era tão mas tão grande, que as pouquíssimas horas de sono foram só mesmo um pormenor. O restaurante do resort (ficamos alojados no Railay Bay Resort & Spa) é mesmo na praia e o pequeno-almoço deu-nos a certeza que tínhamos chegado ao sítio certo. 
Dedicamos as primeiras horas do dia ao reconhecimento de Railay Beach, dos hotéis, do pequeno e escasso comércio e dos restaurantes locais, que seriam os nossos spots nos dias seguintes. E, aqui, aproveito para fazer uma descrição deste local, uma vez que Railay Beach faz parte de uma pequena península, sem acesso por via terrestre (por causa das formações rochosas enormes na zona que liga a península por terra) e nós não fazíamos ideia até poucos dias antes da viagem (nem a própria agência de viagens). A sensação de confinamento e inacessibilidade impele uma certa exclusividade e misticismo a este local. 
Depois da voltinha inicial, relaxamos entre praia e piscina, almoçamos tardíssimo na vilazinha (um pad thai, para variar), voltamos ao quarto para uma sesta e ao final do dia fomos de novo para a piscina assistir ao pôr do sol com mojitos. Uma rotina bastante completa à base de relaxamento, como se pode perceber :).
Mais tarde, saímos para jantar na vilazinha, conseguimos escolher o pior restaurante de todos e  fingimos que aquilo não estava a acontecer (já de fried rice no estômago).
Acabamos a noite com uns gin's bebidos e algumas horas de conversa, por entre os bares de Railay Beach que visitamos (nota: o conceito de noite/festão não existe em Krabi, porque o destino é demasiado idílico para isso, portanto quem quiser mesmo animação nocturna deve ficar alojado nas PhiPhi Islands).







Na segunda manhã em Krabi, depois do pequeno-almoço fizemos um bocadinho de praia em frente ao resort e tínhamos apontado por volta do meio dia ir a uma espécie de lagoa, gruta, you name it, que os meninos tinham descoberto nas suas pesquisas e que parecia super gira. Vi algumas imagens, mas sem me preocupar muito com detalhes, eles tinham percebido onde se iniciava o percurso e eu alinhei "cegamente". Fomos em direcção a Phra Nang Beach, mesmo ao lado da nossa praia, mas de acesso pelo lado oposto da península, e deparamo-nos com o suposto início de percurso. É aqui que o coração começa a palpitar e se vislumbra a "vida a andar para trás". Uma rocha íngreme para escalar de forma livre, uma placa de advertência para o perigo de queda (e o caraças) e três marmanjos com muita vontade de aventura, mas convictos que mais à frente existiria outro acesso "seguro". 
Está beeeeeeem!!! Claro que o acesso era por ali, mesmo que só conseguíssemos ver uma das partes mais tranquilas do percurso e depois de alguns minutos de hesitação (porque o amor à vida é grande), decidimos que o iríamos fazer, custasse o que custasse, iríamos chegar à Princess Lagoon.
No final, em retrospectiva, percebemos que implicou subir uma formação rochosa imensa, as tão características da Tailândia, que a descemos para chegar à lagoa e que fizemos o percurso inverso para voltar à civilização. Pelo meio, muito M-E-D-O, alguns pontos de dúvida se conseguiríamos mesmo, e/ou se valeria a pena o risco, pelo desafio cada vez maior na descida, pelo esforço físico que estava a implicar, pelo facto de estarmos a fazer isto por nossa conta e risco, sem qualquer possibilidade de contacto ou mantimentos se ali ficássemos retidos.
Foi - indubitavelmente - um dos meus maiores desafios físicos, e psicológicos (porque a certa altura quem comanda é a mente e a vontade de não deixar nada a meio), na mesma medida que uma das melhores sensações de sempre quando chegamos finalmente à Princess Lagoon. Naquele momento, a vontade de chorar, pela superação e beleza do que estávamos a presenciar, foi mais forte, e tive a certeza que se não existisse mais nada marcante nesta viagem, aquele tinha valido por tudo. Claro que existiram muitos outros, mas descrever as mais de quatro horas deste percurso ainda me arrepia (de orgulho kkk).
Uma vez regressados, nem conseguimos almoçar, bebemos um mojito (a referência a mojitos ao longo deste post aplica-se apenas a mim, porque não gosto da geladinha Chang), dormimos e jantamos às 23h30 na vilazinha (pad thai, se não me engano kkkk)







 



Apesar de estarmos em Krabi, tínhamos decidido que guardaríamos um dia da estadia para um passeio de barco pelas várias ilhas do sul da Tailândia e bem o fizemos. O passeio foi organizado pela Phi Phi Brazuca, uma empresa turística de brasileiros na Tailândia, que se mostraram bastante simpáticos e competentes, quer no dia do passeio, quer em toda a ajuda e dicas que nos foram dando nos dias em Krabi.
Depois de alguma indecisão e pesquisa, porque nos apetecia fazer os passeios todos, optamos pelo passeio denominado Phi Phi Islands (1.400 THB + 400THB para a  taxa da marinha) e recomendamos muito (muito completo, com vários pontos de paragem e liberdade para explorar o que quiséssemos, almoço, água e fruta incluídos no valor).
Apesar de ser muito atractivo (e fotogénico) um passeio em Long Tail - barco cartão postal da Tailândia - optamos por fazer o passeio de Lancha (speed boat), por uma questão de conforto e segurança.
O registo fotográfico deste dia fala por si, aquele que seria um dia de absoluto espanto e deslumbre, passando por:

  • Loh Samah Bay - A baía de Loh Samah fica no lado oposto de Maya Bay (a super desejada por todos os turistas que vão para esta zona da Tailândia) e é uma paragem obrigatória para snorkel, com muitos peixinhos e uma óptima oportunidade para relaxar um bocadinho e curtir a proa do barco.
  • Pileh Bay - Um dos lugares mais bonitos de Koh Phi Phi. Se só pudesse escolher uma palavra para definir seria: Arrebatadora, até porque é mesmo preciso preparar o coração para a grandiosidade de Pileh Bay, com as formações rochosas imensas, os long tails atracados e um misto de cor entre barquinhos e a água azul muito bonito da lagoa.
  • Monkey Beach - Como o próprio nome indica, é uma praia povoada apenas por macacos, desejosos de pegar nas coisas dos turistas e é desaconselhável dar-lhes comida ou ter um contacto próximo com eles, uma vez que podem ser agressivos. 
  • Maya Bay - A praia eternizada por Leonardo Di Caprio no filme "The Beach" há quase duas décadas, e que está encerrada deste junho 2018, devido à massificação do turismo, numa tentativa de recuperar os danos ambientes causados pelos 200 barcos e 4.000 turistas que recebia, em média, diariamente. Assim, a visita possível foi uma paragem no barco na baía e a fotografia da praxe.
  • Viking Cave - É uma gruta de calcário com murais e local de colheita de ninhos de aves para a tradicional sopa chinesa, não existindo por isso paragem neste ponto.
  • PhiPhi Don - A ilha principal (e a maior) do arquipélago Phi Phi Islands, onde acabamos por almoçar e dar uma volta na envolvente. Deste arquipélago é a única com hotéis, restaurantes, bares e um centrinho mai agitado.
  • Bamboo Island - De longe a ilha com o areal mais branco e a água mais cristalina que vi em toda a minha vida. A praia perfeita para terminar um dia tão maravilhoso.

O passeio foi longo e estávamos completamente inebriados com tudo o que tínhamos visto e sentido, ao ponto de adormecermos ao final do dia e acordarmos na manhã seguinte.






























Como se pode perceber, não jantamos na noite anterior, por isso a prioridade na manhã seguinte foi saltar para o pequeno-almoço e repôr energias. Ficamos pela praia e piscina relaxadinhos e, cereja no topo do bolo, marcamos uma massagem tailandesa ao início da tarde no SPA do hotel. BENDITA DECISÃO. Ainda mais relaxados, fomos almoçar uma pizza na vilazinha (à hora do lanche) e assistimos ao pôr-do-sol em Phra Nang Beach em frente ao restaurante super mediático The Grotto (que momentooooo!!!).
Voltamos ao quarto para (mais) uma sesta antes do jantar e escusado será dizer que o cenário da noite anterior se repetiu (neste caso só para mim, os meninos ainda conseguiram arrastar-se até à vilazinha para jantar tardiamente).






Como tudo o que é bom, diria como tudo na vida, chega sempre um dia que temos de desapegar e dizer adeus e, invariavelmente, chegou esse dia para nós em Krabi, cedo djimais:). Tomamos o pequeno-almoço e fizemos uma piscininha. Almoçamos no hotel e fomos fazendo a despedida destes dias, cada um ao seu jeito, até às 16h, hora em que teríamos transfer para o aeroporto e se iniciava a viagem de trinta e tal horas até casa.

Em modo de resumo, quase que me senti relaxada ao descrever tantos dias de pura procrastinação em Krabi, dias maravilhosos e tranquilos, de praia e outras actividades, que repetiria com muita facilidade.
Passaram quase quatro meses desde a viagem, o momento que vivemos actualmente é em tudo diferente e as perspectivas de uma viagem semelhante são bastante reduzidas e temporalmente distantes, mas as memórias ainda presentes, e o facto de termos sido abençoados por conseguir ainda realizá-la, dão alento para tudo o que teremos pela frente. Não poderemos viajar tão cedo, mas podemos revisitar e inspirar alguém, para quando isso voltar a ser possível.
Obrigada A. e B.


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